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A impotância da Família para o Desenvolvimento Humano

A impotância da Família para o Desenvolvimento Humano  

    A organização familiar é um fator muito estudado, sendo certo que a qualidade dos cuidados parentais que uma criança recebe em seus primeiros anos de vida é de importância vital para a sua saúde mental futura.  O contato vivenciado entre o bebê, criança e família mesmo que seja puramente para sobrevivência, estabelece vínculos emocionais para os pequenos.
    O comportamento dos pais desde o momento da concepção é muito importante para o desenvolvimento do bebê e, conseqüentemente para o desenvolvimento cognitivo quando criança e adolescente. O desenvolvimento é compreendido em: desenvolvimento físico, crescimento do corpo e do cérebro; desenvolvimento cognitivo são as mudanças nas habilidades mentais como aprendizagem, atenção, memória, linguagem, pensamento e raciocínio e o desenvolvimento psicossocial que são as mudanças nas emoções, na personalidade e nas relações sociais. Mas estes três desenvolvimentos estão interligados e sofrem diferenças individuais como hereditariedade e diferenças no ambiente como, a família, o status socioeconômico, a sociedade onde vivem, os relacionamentos, as escolas, entre outras.
    Como o corpo da mãe é o ambiente pré-natal, praticamente todas as coisas que afetem seu bem-estar, desde a dieta até seu humor, podem alterar o ambiente do bebê em gestação e influenciar seu crescimento. A ingestão de bebida alcoólica pode prejudicar o funcionamento neurológico e comportamental, assim afetando a interação social entre a mãe e o bebê, interação que é vital para o desenvolvimento emocional. O tabagismo materno provoca baixo peso no nascimento, aumenta o risco de aborto espontâneo, retarda o crescimento, traz problemas neurológicos, cognitivos e comportamentais a curto e longo prazo como também o estresse anormal da mãe durante a gravidez, a ansiedade, a idade materna. Existem também fatores paternos como a exposição a chumbo, maconha, tabaco, grande quantidade de álcool ou radiação, pesticidas, paternidade tardia podem causar anomalias.
    O ser humano é adaptável, sendo, ainda maior, quanto menor for a idade. Assim, se um bebê ou uma criança for exposta a um ambiente apropriado e estimulante durante os primeiros anos de vida, ele é capaz de se desenvolver melhor, os problemas podem ser corrigidos no começo e a evolução pode ser positiva.
    É essencial para a saúde mental que o bebê e a criança pequena experimentem um relacionamento afetuoso, íntimo e contínuo com sua mãe com satisfação e prazer para ambas as partes. Os cuidados maternos não são medidos em horas e sim em termos de prazer que tanto a mãe quanto a criança obtém, e esse prazer só será possível se o relacionamento for continuo.
    A instituição família é considerada por vários estudiosos, como o lugar mais importante para o desenvolvimento dos indivíduos. Porém, como ocorre muitas vezes, as cenas de violência, desamparo e às diversas espécies de abusos sofridas e presenciadas por crianças e adolescentes dentro de casa, fazem que este ambiente se torne negativo, importando, com isto, o encaminhamento destas crianças aos abrigos, onde  poderão receber os cuidados necessários.
     Alguns estudiosos afirmam que o convívio entre as pessoas pode ser variado, indiferente ou não a “laços de sangue” e, mesmo assim, podemos, defini-lo como um conjunto de relações familiares.
    O projeto “CASA DE ACOLHIDA BOM PASTOR” tenta resgatar ou proporcionar às crianças e adolescentes algum tipo de relação familiar, onde elas poderão receber os cuidados necessários, como alimentação, higiene, saúde, educação e acima de tudo, muita atenção e carinho.
    Através de experiências vivenciadas em momento terapêutico com as crianças e adolescentes é fácil perceber que muitos dos comportamentos se devem, na maioria das vezes, às várias circunstâncias vividas por elas. O significado de muitas crises, em diversos casos, não é percebido pela maioria, sendo visto apenas aparentemente e não em sua essência.
    A falta do afeto materno, do carinho, da atenção, do amor, é o pivô de muitos desajustes comportamentais, é pivô dos comportamentos não aceitos pela sociedade, da dificuldade em aceitar regras, o que acaba proporcionando um sentimento de desamparo, assim se envolvendo com coisas erradas, não importando com o próprio futuro, com o seu destino, querendo apenas provar que nada os detém, que são “livres”.
    Alguns adolescentes já conseguem perceber que muitas das suas atitudes foram devido à falta da mãe e do pai, à falta de amor, de carinho, compreensão, e até mesmo de regras, de limites, sentem a falta de alguém que se preocupe, que os oriente sobre os atos errados e certos.
    Daí a importância de uma instituição que supra as necessidades básicas de um ambiente familiar, com carinho, atenção, cuidado, onde as crianças se sintam acolhidos, protegidos e amados.


Jacyara Marla

Psicóloga do Projeto de Vida