Daí, e vos será dado

A Bíblia nos fala que Jesus, em sua prática freqüentemente, antes de ir ao encontro das pessoas procurava ter encontros a sós e íntimos com o Pai Eterno. Isto porque para o Mestre, certamente, só se pode ter verdadeiro encontro com o ser humano se nós nos encontrarmos antes com Deus e com nós mesmos como filhos e filhas do Altíssimo.

            Este Homem de Nazaré nos revela uma profunda convicção, que ele sempre trouxe em seu coração, de que ninguém é próximo do seu semelhante se primeiro não está próximo de Deus, isto é, para ser verdadeiramente irmão dos irmãos é indispensável se comportar como filho de Deus. Jesus de Nazaré quando devia realizar tarefas importantes costumava se retirar para uma montanha e passava a noite inteira orando a Deus. Foi assim, por exemplo, quando teve que escolher os seus colaboradores, os apóstolos e apresentar a carta mágna do seu ministério, isto é, o chamado sermão da montanha.

            Tendo subido a montanha, quer dizer, caminhado na direção de Deus para abraçar e ter intimidade com o Pai escolhe os apóstolos e desce com eles para o plano humano, a realidade vivida pela humanidade, isto é a planície que é o lugar da luta cotidiana e o chamado vale de lágrimas. Nesta descida de Deus na direção do povo, diz São Lucas no capitulo 6, versículo 19 que “as pessoas procuravam tocá-lo, pois saía Dele uma força que os curava a todos”. É nesta ocasião que Jesus apresenta a nova constituição do povo de Deus, o que podemos chamar a plataforma de seu ministério, como já referimos acima.

            Em meio às bem-aventuranças Jesus nos convida a uma experiência profunda de confiança na providencia de Deus e na gratuidade, que são próprias da prática do Senhor e que, portanto, deve ser também de seus seguidores: “DAÍ, E VOS SERÁ DADO”.

            Em varias passagens da sagrada escritura Jesus testemunha esta experiência da gratuidade, quando é capaz de pegar o pouco que tem, abençoar e distribuir com quem necessita, assim nos relata Mt 14,13-21; Mc 6,30-44; Lc 9,10-17; Jo 6,1-13 . É interessante perceber que Jesus não dá o que sobra, no caso da multiplicação dos pães, mas reparte o que tem e recolhe as sobras enchendo 12 cestos. Com isto o homem de Nazaré nos ensina que o milagre é feito não com a sobra, mas com o pouco que temos, pois as bênçãos de Deus que descem dos céus sobre o pouco que temos, em nossas mãos estendidas, resulta no milagre da multiplicação e as sobras nos mostram que quando abrimos as mãos não ficamos com os cestos vazios.

            Porém Jesus de Nazaré não só dá o que tem, mas se dá de graça inteiramente a nós.

            Somente quem tem o coração aberto para dar, pode experimentar em suas mãos e em seu coração se multiplicar as bênçãos, as graças e ver acontecer em sua própria vida à prosperidade como dádiva do Altíssimo. Mãos fechadas pelo egoísmo e pela ganância são incapazes de conhecer e presenciar a ação da Providencia Divina na própria vida. Quem dá por Jesus e quem dá aos pequeninos de Jesus nunca fica de mãos vazias e coração vazio. Esta é a experiência do amor que é oposta ao egoísmo e a ganância. Quanto mais você dá mais você fica cheio e repleto.

            No evangelho de Mt 10,42 Jesus nos ensina que “até um copo de água dado aos mais pequeninos em seu nome não ficará sem recompensa”. Para nos dizer que é nos pequenos gestos de ajuda e que faz sorrir o irmão que nós temos a oportunidade concreta de mostrar o nosso amor a Jesus Cristo. Na verdade, a verdadeira caridade aos irmãos e o verdadeiro amor a Nosso Senhor consistem em dá sem esperar em troca nada do irmão, pois quando damos esperando algo em troca tal gesto deixa de ser caridade e amor e passa a ser um relacionamento de barganha, interesseiro. Já dizia São Paulo: “O amor não é interesseiro”( 1Cor 13,5). Em Mt 6,3 Jesus de Nazaré nos mostra que o verdadeiro amor é movido pelo verdadeiro amor a Ele e aos irmãos. Portanto ele diz: “Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita, e teu Pai, que vê o escondido te recompensará”.

            A Bíblia nos ensina que quanto mais nós confiamos na providência de Deus, mais aprendemos a administrar o que temos sem apego exacerbado. O Senhor nos convida a segui-lo, a confiar nele e a viver a sua palavra.

            Certa feita, diz o Evangelho de Mc 10,28-30, o apostolo Pedro dirigiu a Jesus uma pergunta que, certamente, era curiosidade dos outros apóstolos: “ Mestre, eis que deixamos tudo para te seguir. O que nós vamos ganhar com isto? Qual é a nossa recompensa”? Jesus respondeu: “Quem deixa tudo para mim seguir recebe cem vezes mais neste mundo e terá a vida eterna”.

            Caríssimos irmãos em Cristo, DAÍ, E VOS SERÁ DADO. Nós somos chamados a oferecer até um copo d’água em nome de Jesus, coisa simples, prática e ao alcance de todos nós, mas não ficaremos sem recompensa por este gesto. Jesus não nos dá qualquer coisa ou migalhas. A recompensa que Ele nos promete e uma manifestação abundante da sua Divina Providencia. Por isso, ele mesmo diz em Lc 6,38b: “Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante....”.

            Queremos agradecer a todos que estão contribuindo com a “Casa de Acolhida Bom Pastor” e oramos para que o Senhor recompense com medida transbordante a todos vocês.

 

Pe. Reginaldo Cordeiro de Lima